86% de crescimento nas vendas de medicamentos até 2017

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crescimento de 86% nas vendas de medicamentos
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evisão de 86% de crescimento das venda de medicamentos até 2017, com média de 13% ao ano.

Embora a crise econômica mundial tenha abalado fortemente algumas das maiores economias do mundo, o Brasil atravessa um período de estabilidade, e vem ganhando posições no panorama mundial. Há previsões bastante otimistas que colocam o País na quinta posição no ranking das maiores potências econômicas do mundo até 2017.

Essa foi uma das previsões reveladas no 2º Encontro da Federação Brasileira das Redes Associativistas de Farmácias (Febrafar), que aconteceu em setembro, em São Paulo (SP), e reuniu cerca de 300 representantes das redes associadas à entidade e outros players do mercado farmacêutico nacional.

Na ocasião foram abordados assuntos relativos ao mercado que envolvem desde a indústria até a cadeia de distribuição e o setor varejista. Temas como a economia brasileira e suas repercussões no comércio de medicamentos, as projeções de venda e de distribuição e o perfil de consumo foram amplamente discutidos.

A Febrafar tem trabalhado fortemente o conceito do associativismo junto às redes nacionais. Comprar melhor, negociar diretamente com a indústria, estruturar centros de distribuição, utilizar estratégias de marketing de peso que possam fortalecer as marcas das pequenas empresas e seus produtos são metas que todos os empresários buscam. A diferença é que os grandes empreendimentos têm condições de atingi-las de maneira rápida e isolada. Ao agir sozinhos, os negócios de menor porte enfrentam maiores dificuldades para alcançar objetivos que tornem suas empresas mais competitivas e rentáveis. Entretanto, quando pensam e agem coletivamente, ganham força, representatividade e maiores lucros.

A federação, que foi fundada em 2000 com 16 associadas, já engloba um universo com 38 redes, que somam 6.870 lojas. Sua capilaridade atinge 20 Estados mais o Distrito Federal – mais de 1.500 municípios.

O professor do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Educação Continuada (CPDEC), Rodnei Domingues, durante o evento da Febrafar proferiu palestra e desenhou um cenário consistente sobre a economia brasileira e o comércio varejista de medicamentos até 2017, cujas projeções foram baseadas em estudos realizados pelo CPDEC e outras entidades do setor.

Brasil no cenário mundial

“Em cinco anos o Brasil será a 5ª economia mundial e, com isso, certamente irá atrair investidores. O mundo vai demandar alimento e recursos naturais e o País tem condições de atender a esses requisitos até 2017”, diz o professor.

As exportações passarão dos atuais US$ 300 bilhões (2012) para US$ 600 bilhões em 2017. O País exporta 47% de produtos básicos, 14% de semi-industrializados e 39% de industrializados. “Exportaremos em 2017 40% de produtos básicos (commodities), 30% de itens semi-industrializados e 30% de produtos industrializados”, prevê ele.

Com relação à variação do dólar, devemos fechar este ano com a moeda a R$ 2,02; em 2013 ela custará R$ 2,41 e em 2017 deverá valer cerca de R$ 3,60.

As reservas brasileiras passarão dos atuais
US$ 355 bilhões para US$ 700 bilhões. Já a dívida pública em relação ao PIB, em 2012 fechará em 35,5%, em 2013 será de 34,2%, em 2015 será de 30,1% e a projeção para 2017 é de 24,6%.

O risco Brasil teve uma evolução surpreendente, já que em 2002 era de 2.400 pontos. Em 2008 passou para 260 e em 2012 chegou a 190. A previsão de Domingues para 2017 é de que o risco Brasil atinja o patamar de 70 pontos. “O desafio aqui é a entrada acelerada de dólares no mercado e, por isso, o País precisará de políticas agressivas para conter a flutuação da moeda”, alerta ele.

O PIB apresentará crescimento de 2,1%, em 2012, para 4,3% em 2013 e possivelmente 4,8% em 2017. Na razão oposta, a taxa de juros cai dos 7,2% em 2012, para 6,2% em 2013 e 5,5% em cinco anos. A inflação, por sua vez, terá variação de 5,1% neste ano para 4,2% no ano que vem e 4,5% em 2017. O aumento do PIB entre 2012 e 2017 será de 20% a 25%.

Em termos da população brasileira, que figura com 190 milhões de habitantes atualmente, esse volume deverá atingir a casa dos 215 milhões em cinco anos. Com isso a população vai envelhecendo, mas o País ainda será considerado um local de jovens, já que a idade média passará de 28,8 anos (em 2010) para 31,2 anos em 2015, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O instituto estima ainda que até 2050 a idade média do brasileiro chegue a 46,2 anos.

Já o índice de desemprego, de acordo com o IBGE, tende a cair. Deverá fechar 2012 com 6% e chegar a 2017 com 5,5%. Entretanto a falta de mão de obra qualificada continuará persistindo.

Para vislumbrar melhor a migração das classes mais baixas e o aumento do poder aquisitivo, o especialista mostra a tabela do IBGE, com indicativos de migração dos indivíduos entre as classes indicadas e o desaparecimento gradual da miséria, o que coloca no mercado mais consumidores:

A classe A-1 passará dos atuais 2% para 3% em 2017, A-2 mudará de 5% para 6%. A classe B aumentará de 15% para 17%. A classe C crescerá de 54% para 56% e a classe E sofrerá decréscimo dos atuais 24% para 18% nos próximos cinco anos. O otimismo de Domingues fica por conta também da carga tributária, que deverá passar de 34% em 2012 para 23,2% em cinco anos.

Comércio varejista

Os reflexos dessas previsões de mercado no setor farmacêutico serão visíveis, primeiramente, no crescimento das vendas de medicamentos até 2017: em volume serão 86%, acumulados de 2012 até 2017, com média anual de 13%. Já em receita serão 76%, acumulados nos próximos cinco anos, com média anual de 12%.

O segmento de perfumaria perceberá crescimento, em volume, de 101%, com média anual de 15%. Em receita, essa ascensão será de 93%, com média anual de 14%. O crescimento será maior nas cidades de até 500 mil habitantes e nas periferias das grandes cidades.

“Vale lembrar que o crescimento das vendas verificado de acordo com a classe social se dará em 62% nas classes B e C e 38% nas demais classificações nos próximos cinco anos”, aponta o professor. Em termos de perfil do consumidor, 26% das vendas de medicamentos serão realizadas para idosos e 73% das vendas de perfumaria serão realizadas para mulheres da classe C.

Os meios eletrônicos terão destaque até 2017, já que 33% das vendas serão realizadas pela internet, telefone e outros meios baseados em tecnologia. Além disso, os maiores crescimentos das vendas das farmácias serão motivados por estes canais.

 

Tendências

“É importante o varejo prestar atenção às novas práticas que despontam no mercado, como o sistema de desconto progressivo, que gera descontos especiais em troca da venda de todos os medicamentos consumidos no mês, no trimestre ou no semestre, por toda a família”, ressalta Domingues. Além disso, os players devem se preparar para o crescimento das grandes redes, das farmácias ligadas aos supermercados, aos preços cada vez mais baixos e à farmácia popular.

Quanto às ameaças, ficam por conta do crescimento do nível de endividamento em 2012. Para farmácias com faturamento acima de R$ 150 mil, aumento de 13%; faturamento entre R$ 61 e 149 mil, aumento de 24%; e abaixo de R$ 60 mil, aumento de 75% (neste patamar 65% possuem dívidas acima de 150% do faturamento). Outras ameaças são a redução de 9% na margem bruta em medicamentos até 2017 e o aumento no número de farmácias (crescimento do número de habitantes por farmácia).

“Quem quiser vencer deverá aproveitar as oportunidades do negócio, que estão nas cidades pequenas e na periferia, com consumidores acima de 60 anos, nos programas de fidelização e sistemas de desconto progressivo e nas margens mais atraentes nas categorias de não medicamentos”, avisa o especialista, que ressalta outro ponto fundamental: a importância do mix. O professor finaliza com este exemplo: 20% a mais na oferta de desodorantes, xampus, condicionadores, escovas de dente e creme dental significam para o  lojista a conquista de 25% de margem nas vendas. Isso sem aumentar o estoque, somente o número de itens. Portanto, o sortimento correto e adequado ao perfil da loja é o que irá alavancar os negócios.

 

Visão global

Já o diretor comercial e de serviços de consultoria do IMS Health, Paulo Paiva, falou no encontro com os representantes das redes associadas à Febrafar sobre as perspectivas do mercado farmacêutico. Ele prevê que o mercado global deve crescer mais de 5% em 2012 e deverá ultrapassar US$ 1 trilhão até 2016. Apesar disso, os genéricos é que ganharão participação nos próximos quatro anos, impulsionados pelos altos volumes em mercados emergentes.

O ranking global de países continuará mudando e o Brasil será o quarto mercado mundial de medicamentos até 2016. Os países mais desenvolvidos já têm condições ideais e neles o  consumo não aumentará, pois o acesso aos medicamentos já está garantido, diferente do que acontece no Brasil, cujas mudanças se darão pelo crescimento desse acesso.

O diretor acredita que as grandes corporações crescerão abaixo do mercado. A América Latina cresceu algo entre 7% e 8% nos últimos cinco anos. Em valores, 14% em termos nominais e 7% em termos reais. O Brasil representa 43% desse contexto.

Na perspectiva regional, nos últimos cinco anos, os players locais capturaram 8% de share do mercado retail. No ranking da América Latina, figuram dois players nacionais. Por ordem: Sanofi-Aventis, Novartis, EMS (local), Pfizer, Bayer, MSD e Hypermarcas (local).

No Brasil o crescimento foi de 5% nos últimos 12 meses após desconto, e esse desconto médio atinge 32% nos produtos de marca e, quanto mais genéricos e similares, maior o desconto.

“O mix de volume deverá continuar migrando para genéricos e marca. A queda de patentes continuará impactando o cenário até 2017. O que fará o mercado crescer é o mix correto e os serviços adequados. Comprar mal é a situação mais crítica do varejo farmacêutico”, destaca o executivo.

O especialista prevê ainda que a farmácia popular deve seguir impulsionando volumes e valores e alterando o sortimento competitivo. As grandes redes deverão continuar a crescer. As redes de mercado ficarão iguais e as farmácias pequenas tendem a perder participação. Outros fatores deverão movimentar os canais, como o aumento da concorrência (abertura de novas lojas).

Fonte: Brasil em Foco e Guia da Farmácia.

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