Bom desempenho do mercado de cosméticos, perfumaria e higiene pessoal mantém otimismo dos OLs

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venda-itens-perfumes-hidratantes-maquiagens-cresce-a-cada-ano-no-paísCom crescimento médio anual de 10% nos últimos 17 anos, expectativa é que cenário se mantenha positivo em 2014 e que prestadores do serviço logístico cresçam junto com os três segmentos.

Os brasileiros têm mudado a sua relação com os produtos de beleza. Vistos antes como não essenciais, e até supérfluos, a venda de itens como perfumes, hidratantes e maquiagens têm, a cada ano, crescido no país.

Prova desse desenvolvimento é que em 2012 o Brasil já representava o terceiro maior mercado de cosméticos, perfumaria e higiene pessoal do mundo, com uma movimentação de US$ 42 bilhões de gastos no setor (dados da Euromonitor).

Segundo relatório da ABIHPEC – Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, o setor vem apresentando um crescimento médio anual de 10% nos últimos 17 anos, chegando a um faturamento de R$ 34 bilhões em 2012.

Entre os principais processos que levaram a esse desenvolvimento está a melhor distribuição de renda na população. A ascensão de milhares de brasileiros para a classe C e a melhoria nas condições de vida das classes D e E são considerados fatores essenciais para esse crescimento.

“O Brasil vem sendo um dos maiores consumidores de perfumes, cosméticos e higiene pessoal do mundo, tornando-se referência nesse segmento para grandes investidores mundiais. O fato de a economia do país estar em ascensão e a consciência com o cuidado do próprio corpo têm alavancado o consumo de homens e mulheres. Antes considerados itens supérfluos na lista de compras, eles agora são adquiridos com maior regularidade”, explica o diretor administrativo e financeiro da Via Expressa Transporte Urgente e Logística, Marcos Antônio França Amancio.

“O governo está considerando como classe média a família que possui um ganho per capita na estimava de R$ 400,00 mensais (uma média de R$ 1.600,00 por família) e, também, que houve um acréscimo de 50 milhões de brasileiros para a classe C. Se considerarmos que somente 30% de ingressantes têm potencial econômico para realmente poder participar deste mercado mais ‘sofisticado’, esse é um aumento real de 35% da população Argentina, ou quase 10 Uruguais”, também comenta o diretor comercial da FreteBrasil, Logística, Transporte e Serviços (Fone: 19 3744.2800), Edivaldo V. Bassani.

No embalo desse crescimento, os Operadores Logísticos e as transportadoras que atuam para essa indústria também têm se desenvolvido bastante no país. A expectativa, para todos os executivos entrevistados pela Logweb, é que haja mais crescimento em 2014.

“Os três segmentos continuam com uma perspectiva de crescimento e ampliação de portfólio das companhias atuantes para o ano de 2014. É notável como as multinacionais estão cada vez mais de olho no potencial do mercado brasileiro, enquanto as empresas nacionais também tem um enorme esforço em estudar o perfil de consumo e as novas tecnologias para desenvolver novidades atraentes e alinhadas com a expectativa do mercado”, fala o diretor de vendas da Penske Logistics, Fabricio Orrigo.

“O segmento está em constante evolução de consumo, com perspectivas de crescimento na logística em 2014”, afirma a coordenadora de marketing da Transportes Translovato, Bruna Grillo Lovato.

“O setor apresenta um volume de carga crescente com uma ampla diversificação de produtos, apresentando uma distribuição através de três canais básicos: distribuição tradicional, incluindo o atacado e as lojas de varejo; venda direta, com evolução do conceito de vendas domiciliares; e franquias”, explica o diretor de vendas da Transportadora Americana, Raul R. Maudonnet.

Dentro da Ativa Logística, da TRA Transportes da Amazônia  e da Keepers Logística ATS, as expectativas também são de resultados superiores aos de 2013.

“Em 2013, superamos 2012, e nosso projeto é superar ainda mais em 2014. Esse será um ano de grandes lançamentos do setor, devido aos eventos no país e, também, de novos encontros e feiras do setor que proporcionam ao lojista acesso às novidades do segmento”, diz o diretor da Ativa Logística, Paulo Roberto Espírito Santo.

“Esses são segmentos onde a expectativa de crescimento é grande, portanto, os Operadores Logísticos devem se preparar. Estimamos um aumento em torno de 10% no volume de armazenagem e de pedidos, isso baseado no crescimento médio dos nossos clientes, sem contar novos contratos e parceiros”, afirma o diretor comercial da Keepers Logística, Felippi Perez.

“Nossas perspectivas são as melhores e mais otimistas, pois considerando a Copa do Mundo no Brasil e as eleições, o meio empresarial está confiante com o provável crescimento desses três segmentos, em torno de 15% em relação ao ano de 2013”, diz o diretor geral da TRA, Gilvan Huosell Ramos.

Tendências

Com esse cenário positivo, o mercado de cosméticos, perfumaria e higiene pessoal tem como tendência expandir dentro do comércio eletrônico (e-commerce). Segundo dados da E-bit, empresa especializada em informações do comércio eletrônico, o e-commerce superou as expectativas em 2013 com um crescimento de 28%, se comparado com 2012 (a expectativa era que o mercado fechasse o ano com 25% de crescimento).

“O comércio eletrônico também apresenta uma tendência de crescimento no setor de cosméticos, destacando-se a operação B2C. Trata-se de uma operação complexa que exige alto grau de especialização do parceiro logístico”, diz o gerente comercial da Transrefer Transporte e Logística, Marcos Fontes.

Já para Amancio, da Via Expressa, os resultados estão longe das expectativas. “Talvez, pelo perfil dos produtos que exigem um ‘toque’ para efeito de compra, como, por exemplo, um perfume que só é comprado se o cliente já usa com frequência, caso contrário, ele prefere ainda comprar na loja, esse segmento não tenha alavancado tanto como o esperado”, explica ele.

Outra tendência é o aumento de exigências em qualidade e agilidade dos Operadores Logísticos e das transportadoras. Com o aumento da demanda de produtos, ficou imprescindível que as transportadoras sejam cada vez mais eficientes em seus processos.

Para Perez, da Keepers, empresas sem especialização no segmento e mal preparadas tendem a desaparecer. “O que percebemos nos últimos anos é que os Operadores Logísticos pouco especializados têm desaparecido deste mercado. Exigências como ANVISA ou WMS, que controle muito bem a validade, lote de fabricação e FIFO, têm afastado os OLs novos ou despreparados. O mercado B2C destes segmentos está crescendo muito, então, o fracionamento e a reembalagem têm tomado uma importante área nos Operadores Logísticos. Outros serviços, como manuseio, laboratório, etiquetagem, nacionalização, áreas refrigeradas, cross-docking e amostras, têm ganhado muito destaque e estão sendo os diferenciais de hoje”, diz ele.

“As principais tendências do setor envolvem credibilidade e confiança nas soluções logísticas, prazo, pontualidade, padrões de qualidade e certificação do setor. O alinhamento com as diretrizes corporativas do cliente também é um fator importante para o Operador Logístico. E a forma de operação cada vez mais regionalizada, próxima aos públicos consumidores, é a tendência do segmento”, afirma Orrigo, da Penske.

“Esse mercado vem exigindo mais rapidez nos níveis de serviço, ou seja, temos menos tempo entre o faturamento e a expedição dos produtos. Também temos notado um maior fracionamento dos produtos, decorrente da necessidade de se atingir os pequenos revendedores. A venda por meio da internet aumenta a complexidade das operações, exigindo investimentos em equipamentos e sistema. Outra tendência é cada vez mais agregar valor aos produtos movimentados, por exemplo: formação de kits, aplicação de diversos tipos diferentes de etiquetas, agrupamento de produtos e outros. As exigências por parte da agência reguladora (ANVISA) aumentaram em termos de controle de lote e rastreabilidade, tornando, assim, as operações mais complexas”, também comenta o diretor de logística da Snap, Custódia Armazéns Gerais, Silvio Lapenna Ercoli.

Já Bruna, da Translovato, destaca a automatização dos processos. “Hoje, eles são manuais, e a tendência é se tornarem automatizados, reduzindo a mão de obra, agilizando a operação e diminuindo os custos”, explica ela.

Desafios

Mesmo com esse cenário positivo, o mercado logístico para o segmento de cosméticos, perfumaria e higiene pessoal sabe que ainda existem diversos desafios para continuar a se desenvolver no país.

A falta de infraestrutura e a restrição de tráfego nas grandes metrópoles são alguns dos problemas enfrentados por todos os segmentos, e que também podem afetar, de forma negativa, a expansão desse setor.

“Posso dizer que as dificuldades que enfrentamos são as mesmas que acompanham outros segmentos de serviços no país. No segmento de cosmético em especial, que está concentrado em centros urbanos e grandes capitais, um dos maiores problemas são as restrições a veículos de carga em determinados pontos da cidade. Mas temos problemas diversos em relação às estradas e gargalos de infraestrutura. Nossas dificuldades, em geral, são as mesmas do mercado: paralisações, a questão da Lei do Motorista, as restrições aos veículos – rodízio e áreas restritas de entrega”, diz Paulo, da Ativa Logística.

“Continuamos com o pesadelo da falta de infraestrutura na melhoria das estradas rodoviárias e dos portos para embarques fluviais. Esses dois pontos continuam prejudicando a eficiência de nossa logística, bem como impactando os custos na elevação do transporte de carga pelos modais rodoviários e fluviais”, afirma Ramos, da TRA.

“O setor logístico enfrenta os problemas comuns ao transporte de todos os segmentos, como malha rodoviária precária e restrições de veículos em determinados horários e locais, além do roubo de cargas”, também comenta Fontes, da Transrefer. “Além disso, por ser tratarem de produtos frágeis, deve-se ter todo o cuidado no transporte e manuseio, por isso o mercado logístico deve investir constantemente no treinamento dos colaboradores. Outros problemas que o setor apresenta são as dificuldades de entregas (pessoa física) e algumas exigências dos recebedores que solicitam as mercadorias divididas por códigos, impactando diretamente no prazo de entrega. Os insumos também apresentam especificidades, visto que alguns produtos são incompatíveis e devem ser transportados separadamente”, completa ele.

A burocracia e a documentação exigida pelos órgãos reguladores para o transporte desse tipo de produto também são apontadas pelos executivos como um desafio.

“São muitas as dificuldades com este tipo de produto. O operador tem que ter todas as licenças exigidas pelos órgãos reguladores, o que requer mão de obra, processos, controles, equipamentos e estruturas adequadas. A maioria dos nossos casos da operação de nacionalização dos importados, por exemplo, exige a reembalagem total dos produtos, o que requer salas preparadas com controle de temperatura e mão de obra especializada. Diversas linhas de produtos são sensíveis a variações de temperatura e ao manuseio, o que requer cuidado redobrado para evitar avarias. Todos os produtos devem obedecer as orientações da ANVISA e do fabricante, exigindo atenção e cuidados especiais com datas de validade e controle de lotes”, diz Ercoli, da Snap.

“Não vemos problemas, mas sim pontos de melhorias a serem observados. Primeiramente, a demora em concessão de novas licenças regulatórias como ANVISA, etc. Em alguns casos também na revalidação das licenças antigas. Os controles de FIFO, validade e lote demandam tempo, recursos tecnológicos e muito reconhecimento da equipe de movimentação. E o alto nível de fracionamento que vem sendo tendência atualmente, demandando mais equipes, coletores, terminais de conferência e embalagem”, afirma Perez, da Keepers.

Já Amancio, da Via Expressa, destaca a redução de custos como o principal desafio na logística. Segundo o executivo, diante de um mercado com uma margem de lucro considerada, cada vez mais se cobra qualidade e economia de escala. “Por sua vez, os parceiros são obrigados a aliar uma maior rapidez no processo, investimentos tecnológicos, eficiência no processo e uma redução de custo simultaneamente. Por isso, as empresas com o perfil inovador, dinâmico e flexível vêm ganhando esse mercado tão exigente e em ascensão no mercado global”, explica ele.

“O maior problema que vemos é a falta de conhecimento de novas tecnologias por parte dos embarcadores. Também temos a questão do roubo profissional e sistemático, com quadrilhas especializadas neste tipo de mercado, tanto na questão do roubo como na distribuição do produto roubado”, diz Bassani, da FreteBrasil.

Entrada de players internacionais no Brasil é vista como positiva, para empresa de consultoria

Empresa de consultoria em Logística e Cadeia de Suplementos (Supply Chain), a Prosperity Consulting tem expectativa de que os grandes players internacionais do varejo e da indústria cresçam cada vez mais no pais. Segundo o diretor da companhia, Rogério Torchio, essas notícias têm movimentado o mercado de logística, que é demandado por um serviço cada vez mais diferenciado para produtos de alto valor agregado.

“O mercado de cosméticos, perfumaria e higiene pessoal está apontando para grandes oportunidades no ano de 2014. Grandes players internacionais do varejo e indústria estão se instalando ou ampliando suas participações no Brasil. Apenas como exemplo, a MAC, uma das maiores fabricantes de maquiagens, espera dobrar de tamanho nos próximos três anos. Já a gigante L´Oréal planeja investir no Brasil, que foi o seu mercado de maior crescimento de vendas. Até a L’Occitane criou a marca ‘au Brésil’, que aproveita insumos locais para suas produções”, explica ele.

O executivo também destaca os desafios para que esse mercado cresça. Segundo ele, chegar rápido ao consumidor final com uma operação suportada por informações de posicionamento e rastreamento dos pedidos deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade. Mas essa melhoria, no nível de serviço, não é apenas uma questão de investimento por parte dos Operadores Logísticos: a distribuição urbana passou a ser o grande desafio e vem sendo surpreendida com um número crescente de cidades em todo o território nacional com leis específicas para restrição de trânsito.

“Cidades como Rio de Janeiro e São Paulo vivem um verdadeiro caos urbano e a distribuição física já chega a ser mais cara do que no interior desses Estados, onde a distância percorrida é maior. Nos centros expandidos, há proibição de circulação de veículos de transporte de maior carga – somente VUC (Veículos Urbanos de Carga) podem circular – nos horários comerciais. Isto tem obrigado empresas a abrir suas portas para recebimentos noturnos ou a receber em volumes menores, o que, obviamente, implica em maior custo”, finaliza.

Empresa de gestão logística em comércio exterior também aposta em cenário positivo para o segmento

“As expectativas são positivas e isso pode ser percebido com a própria mudança nas características de consumo do Brasil. Espera-se que nos próximos anos os setores mantenham seu bom desempenho de mercado, uma vez que há um grande movimento pela melhoria na qualidade de vida e da saúde, além da busca pelo retardamento do envelhecimento da população brasileira, conforme os estudos da Euromonitor 2013.”

A análise do mercado de cosméticos, perfumaria e higiene pessoal é do diretor executivo da Custom Comércio Internacional, Milson Januário. Dentro da companhia, que trabalha com gestão logística em comércio exterior, a análise segue a linha apontada pelos Operadores Logísticos e pelas transportadoras que atuam para esses três segmentos: com a ascensão das classes C e D, e seu maior acesso ao crédito, o consumo de produtos industrializados e de marcas conhecidas aumentou e tende a crescer ainda mais.

Entre as tendências que devem influenciar o mercado nos próximos anos, Januário aponta as novas exigências que esse crescimento deve gerar, tanto em questão de licenças, como de equipamentos e de tecnologia.

“A Custom observa que há uma tendência de aumento no número de produtos que requerem licenças especiais ou licenças não automáticas. Quanto a novos equipamentos, podemos citar a obrigatoriedade de todas as cargas passarem por scanners ao sairem dos recintos alfandegários e/ou armazéns alfandegados”, explica ele. “Se, por um lado, esta nova regulamentação anexou custos ao processo, por outro, pode tornar mais rápidas a fiscalização e liberação de cargas, uma vez que o fiscal aduaneiro pode considerar o escaneamento como uma vistoria da carga, ao invés de requisitar a abertura do contêiner em canal vermelho. Para os produtos dos segmentos de cosméticos, perfumaria e higiene pessoal, que requerem, em sua maioria, licenças da ANVISA, este pode ser um ponto notavelmente positivo, já que a incidência de canais vermelhos é maior do que em outros setores”, completa Januário.

Fonte: Logweb

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