A curva ABC farmácia é uma das ferramentas mais eficientes para quem busca controle de estoque, redução de perdas e aumento da rentabilidade. Baseada no princípio de Pareto, ela ajuda a identificar quais produtos realmente impactam o faturamento e merecem maior atenção na gestão diária.
Na prática, aplicar a curva ABC permite ao gestor entender onde está concentrado o capital investido em estoque, evitando compras desnecessárias, rupturas de itens críticos e excesso de produtos com baixo giro. Por isso, é um método amplamente utilizado na gestão farmacêutica.
O que é a curva ABC na farmácia
A curva ABC é uma metodologia de classificação de produtos conforme sua relevância financeira. Em vez de tratar todo o estoque da mesma forma, ela segmenta os itens de acordo com o impacto que geram no faturamento ou no consumo.
Na curva ABC da farmácia, essa análise é especialmente importante, pois o mix costuma ser amplo, com medicamentos, perfumaria, higiene, correlatos e produtos sazonais. Sem critério, o estoque pode rapidamente se tornar caro e ineficiente.
O princípio é simples: uma pequena parcela dos itens representa a maior parte do faturamento, enquanto muitos produtos têm baixo impacto financeiro, mas ocupam espaço e capital.
Curva ABC medicamentos: como funciona a classificação

Na aplicação prática, os itens são divididos em três grupos: A, B e C. Cada categoria recebe um tipo de atenção diferente na gestão.
Produtos curva A
Os produtos curva A são os mais estratégicos. Normalmente representam cerca de 10% a 20% dos itens, mas respondem por 70% a 80% do faturamento ou do valor investido em estoque.
Na farmácia, costumam ser medicamentos de alto giro, contínuos ou com grande demanda. Esses itens exigem controle rigoroso, acompanhamento frequente e reposição bem planejada para evitar rupturas.
Curva B medicamentos
A curva B medicamentos inclui produtos de importância intermediária. Em geral, representam cerca de 20% a 30% do estoque e respondem por 15% a 25% do faturamento.
Aqui, o controle pode ser menos rígido do que na curva A, mas ainda assim exige atenção. Uma gestão equilibrada evita tanto a falta quanto o excesso desses itens.
Curva C medicamentos
Os itens da curva C são a maioria do estoque, podendo chegar a 50% ou mais dos produtos, mas com baixo impacto financeiro, normalmente abaixo de 10% do faturamento.
São medicamentos ou produtos com baixo giro, demanda ocasional ou sazonal. O erro comum é manter grandes quantidades desses itens, imobilizando capital e aumentando o risco de vencimento.
Como aplicar a curva ABC farmácia passo a passo
Passo 1: defina o período e o critério de análise
Escolha o período que será analisado (ex.: últimos 3 ou 6 meses) e o critério principal, normalmente faturamento ou valor movimentado. Esse recorte garante que a curva ABC farmácia reflita o comportamento real de vendas.
Passo 2: liste todos os itens do estoque
Extraia uma relação completa dos produtos, incluindo descrição, quantidade vendida no período e preço de venda. Esses dados são a base para aplicar corretamente a curva ABC em medicamentos.
Passo 3: calcule o valor movimentado por produto
Multiplique a quantidade vendida pelo preço unitário de cada item. Esse cálculo mostra quais produtos geram maior impacto financeiro no estoque e no faturamento da farmácia.
Passo 4: ordene os produtos por impacto financeiro
Organize os itens do maior para o menor valor movimentado. Em seguida, calcule o percentual de participação de cada produto em relação ao total vendido no período.
Passo 5: classifique os itens em A, B e C
Com base no percentual acumulado, faça a divisão:
- Classe A: até 80% do faturamento
- Classe B: de 80% a 95%
- Classe C: acima de 95%
Essa etapa evidencia os produtos curva A que sustentam o resultado da farmácia.
Passo 6: defina regras de controle para cada classe
Itens A exigem controle rigoroso e reposição frequente. Itens B pedem acompanhamento periódico. Já os itens C devem ter compras mais criteriosas, evitando excesso e risco de vencimento.
Passo 7: revise a curva ABC periodicamente
Reaplique a análise de forma mensal ou trimestral. A curva ABC na farmácia precisa ser atualizada para acompanhar mudanças de demanda, sazonalidade e ajustes no mix de produtos.

Benefícios da curva ABC na gestão de estoque da farmácia
O uso da curva ABC traz ganhos diretos e mensuráveis para a operação farmacêutica. Um dos principais é a redução de perdas por vencimento, já que o gestor passa a ter clareza sobre quais itens precisam de maior controle.
Outro benefício importante é a melhoria no fluxo de caixa, pois o capital deixa de ficar parado em produtos de baixo giro. A ferramenta também contribui para negociações mais estratégicas com fornecedores, especialmente para itens da curva A.
A curva ABC também melhora a tomada de decisão, trazendo dados objetivos para definir compras, promoções e até o mix de produtos ideal para cada perfil de loja.
Erros comuns ao usar a curva ABC medicamentos

Um erro frequente é aplicar a curva ABC apenas uma vez e não revisá-la. O comportamento de consumo muda, novos produtos entram no mercado e outros perdem relevância. A análise deve ser periódica.
Outro equívoco é considerar apenas o faturamento e ignorar fatores como margem, sazonalidade e criticidade do produto. Em farmácias, alguns itens de baixo valor podem ser essenciais para a operação e a experiência do cliente.
Também é comum não adaptar a estratégia após a classificação. A curva ABC só gera resultado quando impacta decisões práticas no dia a dia da gestão.
Curva ABC farmácia como ferramenta estratégica
Mais do que um método de classificação, a curva ABC farmácia é uma ferramenta estratégica para quem deseja profissionalizar a gestão de estoque, reduzir desperdícios e aumentar a eficiência operacional.
Quando aplicada de forma contínua e integrada à rotina da farmácia, ela ajuda o gestor a enxergar o estoque de forma clara, priorizando o que realmente sustenta o negócio e evitando decisões baseadas apenas na intuição.
