Liberação de remédios para inibir o apetite divide opiniões entre os especialistas

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A obesidade cresce em ritmo acelerado no Brasil e já afeta mais da metade da população, segundo a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). Só na região Norte, a taxa de adultos com excesso de peso chega a 47%. Nesses casos, nem sempre a simples mudança no estilo de vida é garantia de emagrecimento e saúde.

É aí que entra o auxílio dos medicamentos inibidores de apetite (anorexígenos), como anfepramona, femproporex e mazindol, que acabam de ser liberados pelo Congresso Nacional para produção e venda no País depois de serem proibidos pela Anvisa em 2011. A medida é polêmica porque não há consenso entre médicos e outros especialistas sobre a relação entre os riscos e benefícios desses remédios.

O endocrinologista Filippo Pedrinola é um dos que avaliam a liberação como positiva, pois permite que os pacientes tenham acesso a outras possibilidades de tratamento. “A obesidade é uma doença e deve ser tratada como tal, já que é causa de inúmeras outras doenças que abreviam a vida das pessoas. A indicação do uso desses medicamentos deve ser responsabilidade do médico, naqueles casos de sobrepeso importante e obesidade quando o paciente tentou por um bom tempo emagrecer apenas com dietas e exercícios, mas sem sucesso”, afirma.

Riscos

Tanto o anfepramona quanto o femproporex e o mazindol são derivados da anfetamina e agem diretamente no hipotálamo, região do cérebro que controla a fome e saciedade. Os anfetamínicos não são uma unanimidade por conta dos seus efeitos colaterais, que podem variar entre a taquicardia, hipertensão, alteração do humor, insônia e dor de cabeça. “Como todo tipo de medicamento, eles podem ocasionar efeitos que devem ser acompanhados. Os riscos são relativos ao mau uso e abuso dessas medicações”, acrescenta Pedrinola.

A médica ortomolecular Caroline Frota diz que mesmo a sibutramina, liberada no Brasil sob rígidos controles, pode causar distúrbios cardíacos e psicose. “Ao invés de transformar a vida daquele paciente em algo saudável, pode desencadear outras patologias ainda mais perigosas. E nem sempre o resultado é satisfatório: pode haver, ainda, aquilo que muitos conhecem como ‘Efeito Rebote’, no qual o paciente engorda tudo aquilo que já tinha eliminado”.

Questão de acesso

O endocrinologista Mário Quadros diz seguir a posição da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia na questão dos inibidores. “Eles são usados desde a década de 40, então o próprio tempo já se encarrega de responder sobre a validade deles no tratamento”. Segundo ele, a proibição fez com que outras drogas fossem usadas indevidamente com o mesmo objetivo, como os ansiolíticos e os termogênicos, além de ter estimulado o contrabando de medicamentos.

“O Brasil é um dos maiores consumidores de remédios para emagrecer, e parece que isso assustou a Anvisa na época. Mas o que ocorria era o uso indiscriminado. Sou a favor do uso racional, pois o que separa o remédio do veneno é a dose”. Quadros também destaca o baixo custo dos anfetamínicos, enquanto a opções atualmente disponíveis no mercado chegam a custar R$ 700: “A população que mais engorda é a C e D, que usa o SUS e ficou sem opção de tratamento, esperando apenas pela cirurgia bariátrica”.

Os médicos frisam ainda que o tratamento principal para a obesidade não é o farmacológico: “Quando o paciente precisa emagrecer, a alimentação deve ser mudada por completo. A ingestão de menos carboidrato e mais proteína saudável faz toda a diferença”, conclui a Dra. Caroline Frota.

Quem é contrário

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) repudiaram a liberação dos anorexígenos no Brasil. Em nota conjunta, as instituições ressaltaram os potenciais riscos aos pacientes e os prejuízos à saúde pública decorrentes do uso desses remédios, proibidos na Europa e em diversos países.

“A liberação atende exclusivamente ao lobby e poder econômico das empresas farmacêuticas e dos prescritores que lucram com a produção, a venda e as comissões sobre remédios para emagrecer. Cabe ressaltar que diversos parlamentares receberam em eleições financiamento de campanha da indústria farmacêutica”, afirma a nota, que também defende a autonomia da Anvisa para atuar na segurança e controle da produção e comercialização de medicamentos no País.

Em 2011, a Anvisa decidiu vetar a produção dos inibidores de apetite à base de anfetamina depois de constatar que eles não tinham eficácia suficientemente comprovada e apresentavam mais riscos que benefícios. “Não foi a primeira vez em que medicamentos foram retirados do mercado por causa de uma revisão de segurança. Esta, na verdade, é uma situação que faz parte da rotina das agências reguladoras no mundo todo”, alega a Agência.

Anfetamínicos liberados pelo Congresso em junho de 2017

Anfepramona: Começou a ser utilizado em 1997. Vendido nos EUA, não é aprovado na Europa.

Femproporex: Não é aprovado nos EUA e foi proibido na Europa em 1999.

Mazindol: Não é aprovado nos EUA e tampouco está disponível na Europa.

Outros emagrecedores disponíveis no Brasil

Sibutramina: É o emagrecedor com registro válido mais antigo no Brasil. Há 22 sibutraminas disponíveis no mercado.

Orlistat: Chegou ao Brasil no final dos anos 90. Hoje possui pelo menos 22 registros diferentes.

Cloridrato de lorcasserina: Registrado em 2016, está no mercado com o nome comercial de Belviq.

Liraglutida: Mais recente, é uma formulação injetável e está no mercado com o nome Saxenda.

Fonte: A Critica

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Mercado farmacêutico, Legislação e regulamentações
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