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A fosfoetanolamina da política brasileira

A fosfoetanolamina da política brasileira

Em 2016, veio à tona uma polêmica acerca de uma substância que prometia a cura do câncer: fosfoetanolamina. Os seus supostos efeitos tornaram-se virais nas redes sociais e, mais tarde, ganharam reportagens em todos os jornais. Apesar de nunca ter sido testada cientificamente, a comoção social entorno deste remédio milagroso foi tanta que o Congresso Nacional aprovou uma lei liberando sua utilização pela população.

Em meio a tanta histeria, desautorização da ciência e esperança, a comunidade científica e profissionais da área compactuavam da ideia de que tal substância não tinha eficácia. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Federal de Farmácia (CFF) emitiram notas posicionando-se contrários ao projeto de lei que buscava a liberação da substância.

Infelizmente, neste atual momento, constituiu-se no Brasil um ambiente similar. Desta vez, em torno da política, principalmente na eleição presidencial. Há grande convulsão social sob o diagnóstico de que a política está doente e que tem causado grande dor às pessoas. Há até os que associam diretamente partidos políticos ao câncer. Neste contexto, tem-se a opção pelo candidato Jair Bolsonaro, escolha que vem sendo a preferida pela maioria da população; em contrapartida, existe forte consenso da comunidade científica da ciência política brasileira – das mais diferentes posições político-ideológicas – alertando e contrapondo-se às premissas do candidato pelo PSL.

Inúmeras organizações, como a Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) e a Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS) posicionaram-se. Manifestam que os diretos civis e políticos estão sendo fortemente contrariados e que conquistas democráticas e de cidadania estão em xeque. Deixam claro que, além de não produzir o efeito desejado, há grande promessa de diversos efeitos colaterais.

Além dos efeitos produzidos pelo suposto remédio, o maior prejuízo que se incorre é o de despertar falsas esperanças em pessoas que estão desesperadas, levando fatalmente a grandes frustrações. Esta falsa esperança, do remédio mágico e do caminho fácil, também pode levar as pessoas a desistirem do único tratamento possível, que infelizmente é o mais árduo, lento e muitas vezes incerto, no caso da política: a democracia e o diálogo. Vale o velho chavão: fora da política não há salvação para os problemas da vida em sociedade.

Também não é coincidência que o deputado Jair Bolsonaro seja um dos autores do Projeto de Lei aprovado que libera a fosfoetanolamina (Lei Ordinária 13269/2016). Aliás, este é um dos dois únicos projetos de autoria de Jair Bolsonaro aprovados ao longo de seus mais de 27 anos como deputado federal. Essa lei só não está em vigor porque o STF a declarou inconstitucional.

Essa é uma semana importante para se discutir o papel que queremos para a ciência e o diálogo na sociedade brasileira.


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